
A estrutura de episódios curtos da série Coven Academy, exibida no Disney+ e Hulu, gerou divergência entre o criador da produção, Tim Federle, e Craig Erwich, presidente do Disney Television Group. Originalmente produzida para o Disney Channel e exibida em 10 capítulos no Freeform, a série focada em jovens bruxas em treinamento em Nova Orleans foi dividida em 21 episódios mais breves para lançamento em plataformas de streaming, o que causou confusão no público.
Tim Federle explica formato para tornar série “bingeable”
Tim Federle, criador da série, declarou à The Hollywood Reporter que a decisão de adotar episódios mais curtos surgiu do intuito de construir um formato “mais baseado em capítulos”, que mantivesse o interesse do telespectador ao longo de cinco horas de narrativa. Segundo ele, a equipe criativa tem formação tradicional em televisão, com experiências em séries como Smallville e Shadowhunters, e optou por terminar cada episódio como um capítulo, semelhante a uma pausa comercial, para incentivar o consumo contínuo.
“Queríamos usar a estrutura tradicional de narrativa que se estende por cinco horas na temporada, mas com capítulos que tenham tantos arcos, reviravoltas e recompensas quanto uma série comum. O que espero é que a experiência seja muito bingeable”, afirmou Federle.
Coven Academy tem 21 episódios com duração entre 11 e 23 minutos, totalizando 344 minutos (5 horas e 44 minutos), com média de 16 minutos por episódio. Apesar de episódios curtos já terem causado reclamações do público no Disney+, a série da Marvel, por exemplo, lançará produções com duração recorde.
Discordância entre criador e executivo do Disney Television Group
O criador negou que o formato curto da série fosse pensado para um público com suposta “baixa capacidade de atenção”, afirmando que essa percepção é equivocada. Para Federle, o público jovem está disposto a se aprofundar nas histórias, como provam séries antigas que ainda fazem sucesso.
“Acredito que quando as pessoas amam uma história, mergulham nela. É o caso de séries como Grey’s Anatomy e Friends, que continuam populares. O público gosta de passar tempo com personagens que ama, e é isso que buscamos também com Coven Academy“, explicou.
Federle ressaltou a dificuldade de um projeto original se destacar em uma era dominada por franquias e propriedade intelectual (IP), valorizando a aposta da Disney em um conceito inovador. Ele espera que a série tenha tanto impacto que possa ser reiniciada daqui a 20 anos.
“Estamos tentando algo diferente, não baseado em uma obra já conhecida. É um risco, mas agradeço à Disney por isso. Espero que daqui a 20 anos a série seja rebootada”, disse.
Por outro lado, Craig Erwich, chefe do conteúdo original da Hulu, Freeform e ABC Entertainment, ofereceu uma explicação diferente em entrevista ao mesmo veículo. Segundo ele, o formato curto foi pensado para o público jovem de 2026, que consome conteúdo em “rajadas de 15 minutos”, muitas vezes em dispositivos móveis, e não necessariamente em telas grandes.
“Coven Academy foi desenhada para audiências jovens em 2026. Os episódios de 15 minutos são ideais para o modo como as pessoas assistem hoje, inclusive em celulares. O ritmo é acelerado e a forma de contar a história é muito relevante”, afirmou Erwich.
Essa visão contradiz a afirmativa do criador, sugerindo que os capítulos curtos têm, sim, o objetivo de atrair um público com hábitos e atenção diferenciados.
Coven Academy no contexto das mudanças no conteúdo da Disney+
Após o encerramento de uma série de fantasia dos anos 2000 com tema similar, Coven Academy surge como substituta para os fãs que desejam maratonar suas 21 partes.
Novos formatos curtos da Disney+ e o futuro do streaming
Coven Academy acompanha uma tendência da Disney+ em explorar formatos inspirados em plataformas sociais, como o estilo TikTok, apresentado pela série de curtas Locker Diaries. Esses episódios verticais de 1 a 3 minutos apresentam personagens de produções como Phineas & Ferb, Zombies e Descendants.
Essa estratégia visa captar um público que prefere conteúdos curtos para assistir em dispositivos móveis ou durante outras atividades, numa mudança impulsionada por serviços que valorizam o formato rápido, como TikTok, YouTube Shorts e Instagram Reels.
Relatos indicam ainda que a Netflix orienta seus roteiristas a criarem histórias com diálogos mais simples, fatos explicados em excesso e tramas que funcionem mesmo para quem assiste enquanto usa o celular, mudanças que despertam preocupação sobre o futuro da produção audiovisual.
Resta saber se grandes franquias, como Avengers ou Star Wars, poderão ser divididas em inúmeros capítulos curtos e verticais no futuro. Por enquanto, a Disney equilibra lançamentos tradicionais com esses novos formatos, o que ameniza os receios do mercado.
Imagem: Internet
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Com informações de The Direct

